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domingo, julho 27, 2008

Aqueles Dois


O subtítulo do conto “Aqueles Dois”, de Caio Fernando Abreu, nem sempre é lembrado, mas resume o feixe narrativo pretendido pelo autor: “Aqueles Dois – História de aparente mediocridade e repressão”. Integra o livro “Morangos Mofados” de 1982, coletânea de um punhado de outras short stories – que, em sua maioria, habitam o melhor da literatura brasileira nos últimos trinta anos.

Escritor brilhante, o gaúcho Caio Fernando Abreu trazia no amor entre iguais o ponto de partida para suas investigações humanas. Ilude-se quem o enxerga somente como um militante gay, ou artista representativo de uma época – o princípio dos anos 80 – quando a temática homoerótica popularizou-se e expandiu-se em vários campos da arte e do debate cultural.

A riqueza -- além das aparências -- do universo de Caio fica muito clara na construção dos personagens Raul e Saul – eufonia que traduz a intenção do espelhamento. São funcionários de uma repartição qualquer, cheia de gavetas, móveis de mogno, aprisionamento, fofocas e tosquices vividas cordialmente das 9 às 18h. “Deserto de almas” -- expressão folhetinesca, colocada na boca de um daqueles dois -- resume o ecossistema do local.

Criaturas da noite e do dia, perdidas e encontradas, solitárias e amadas, as personas inventadas pelo escritor são várias. Raul e Saul estão em uma portinhola de angústia e redenção, diferentes do falso êxtase de “Dama da Noite”, do sadismo encalacrado de “Sargento Garcia”, ou do lado camp de “Dulce Veiga”. Todos já devidamente adaptados para o cinema, por diferentes diretores, estilos e períodos históricos.

Quanto a “Aqueles Dois” (1985) – na fronteira do média-metragem, 75 minutos -- coube a Sergio Amon e Pablo Vierci o roteiro, esmiuçando, alongando, suprimindo e reinventando situações presumidas ou relevantes do conto. Felizmente não caíram na armadilha boba de fazerem mera literatura filmada – verborrágica e ingênua, desperdiçando a teia audiovisual do cinema.

É por isto que se no conto Saul (Pedro Wayne) e Raul (Beto Ruas) são descritos como bonitos e com uma aura não apenas “psicológica”, mas também física, no filme são encarnados por homens de porte comum, mais para a falta de encantos do que o contrário.

Da mesma forma, as dicas mais sutis de Caio foram alteradas. A menção a “Infâmia” – clássico estrelado por Shirley MacLaine e Audrey Hepburn, adaptação da peça de Lilian Hellman sobre homofobia em uma escola de garotas – foi substituída por “Psicose”, totem mais conhecido do grande público, mas permanecendo o retrato dos dois como cinéfilos incansáveis, adeptos do Corujão às altas horas na tv.

As cartas anônimas que denunciam a dupla são trocadas pela secretária eletrônica aceita como presentinho corrupto pelo repugnante chefe (por que no cinema brasileiro todos os chefes são otários ou repugnantes?), que agiliza processos para os clientes. Porém, os termos agressivos sobrevivem: “relação anormal e ostensiva”, “desavergonhada aberração”, “comportamento doentio”, “psicologia deformada”; reiterando um universo compartilhado ainda hoje por um sem número de pessoas.

Na gama de adaptações do roteiro, colocou-se até uma tentativa de suicídio de Saul, que se fusiona vezenquando com o presente, além de ter-se dado nome e sobrenome aos colegas de repartição, antes anônimos – e que desta forma ressaltavam a oposição criada por Caio entre Raul e Saul face aos mortos-vivos, como se representassem um feixe de luz no Saara.

Acrescentou-se o folclore de Clara Cristina (Suzana Saldanha) – com quem Raul tem um casinho rápido, antes imprevisto por CFA –, Carlos (Oscar Simch), Juarez (Carlos Cunha), Ferreirinha (Edu Madruga), o chefe André (Biratã Vieira), Alfredo (Zeca Kiechaloski) e Mário (Marco Antônio Sorio) – este, engana a princípio, sugerindo que talvez seja ele o outro que completa a dupla.

Sobre a ficha técnica do filme, vale anotarmos a ciranda familiar que era a “Z Produções” de Porto Alegre. Vejamos: Sório já aparecera em “Verdes Anos” (1983), filme emblemático para aquela geração. Outro filme da Z, “Me Beija” (1984), foi estrelado por Nina de Pádua -- que narra em off trechos finais de “Aqueles Dois” -- e dirigido por Werner Schunemann, aqui dublador de Pedro Wayne – e também protagonista de “Verdes Anos”.

Completando o ambiente típico da Z, em “Aqueles Dois” temos Giba Assis Brasil, Rudi Lagemann e Alex Sernambi, assistentes de direção de Amon; e a música é de Augusto Licks – sim, o guitarrista carrancudo do “Engenheiros do Havaí”.

Citações a Nino Rota (“La Strada”) na cena do carrossel em que, sob a rubrica de Caio, os “ex-heteros” Saul e Raul selavam o pacto bêbado, trêmulo, de estarem fartos “de todas as mulheres do mundo, suas tramas complicadas, suas exigências mesquinhas”. Há espaço também para Dolores Duran – central nos referenciais de Caio –, Roberto & Erasmo Carlos, horóscopo e cartomante – esta, na consulta feita pela presepeira e engraçada Clara Cristina, louca para arrumar um marido provedor.

Lição rara em que literatura e matéria fílmica se encaixam perfeitamente, vale a lembrança de que o cinema gaúcho naqueles anos foi – sem qualquer licença poética – a parte mais notável da produção nacional, com raríssimo dinheiro e múltipla criatividade. Enquanto o cinema paulista virava o paraíso da pornografia e a Embrafilme piada nacional, os jovens gaúchos apontavam via alternativa -- saudável e competente; frágil e sonhadora -- livre da fogueira de vaidades que ardia longe, nas grandes capitais.

domingo, maio 28, 2006

Deu Pra Ti, Anos 70


Passei muitos anos à procura de “Deu Pra Ti, Anos 70” (1981), clássico do cinema gaúcho, rodado em Super-8, pai e avô de inúmeros projetos que desembarcaram nas telas brasileiras dos anos 80, 90, 2000.

À medida em que me encantava por “Verdes Anos” – com certeza o melhor filme sobre jovens já feito no cinema brasileiro –, vinha em círculos a idéia de encontrar algum nexo, algum ponto de partida, algum quando, como e porquê definitivos que me explicassem melhor quem afinal estava por trás da obra.

A senha aparecia em “Deu Pra Ti...”: o primeiro de Giba Assis Brasil, o terceiro de Nelson Nadotti, futuros sócios na Z Produtora. “Um retrato a cores da juventude porto-alegrense nos 70.” Essa referência cansava os meus ouvidos, sempre repetida, e nada de o filme aparecer.

Até que finalmente “Deu Pra Ti...” surgiu remasterizado, na Coleção Cinemateca RS. Eis aí o suporte necessário para os espectadores atuais e futuros, que andam com uma lente de aumento, catando as pistas para entender quem auxiliou o parto, por exemplo, de “Coisa na Roda” (1982) e “Me Beija” (1984) – do diretor Werner Schünemann, o Nando de “Verdes Anos”, o ator do grupo “Faltou o João”, que ao lado de outro, o “Vende-Sê Sonhos”, povoa “Deu Pra Ti...” de cabo a rabo.

Existem muitas pontes de associação no meio de tantos filmes. Sergio Lerrer, responsável pela fotografia adicional de “Deu Pra Ti...”, produziu em 1985 “Aqueles Dois”, da Z. Nei Lisboa assinou a trilha de “Verdes...” e a de “Deu Pra Ti...” – em 1979, lançou um show homônimo com a participação de Augusto Licks, “Deu Pra Ti, Anos 70”, mostrado no filme. Álvaro Luiz Teixeira, roteirista de “Verdes...” – a quem devo informações valiosas a respeito da Porto Alegre da época – colabora no roteiro de “Deu Pra Ti...” e aparece, inclusive, numa das fotos da passeata estudantil de 1977. Carlos Gerbase, assistente de direção, dividiu o posto principal com Giba em “Verdes...”.

E há tantos pontos de contato, principalmente no intercâmbio dos atores entre as diversas produções, que chegamos à constatação óbvia de que o universo cultural de Porto Alegre respirava e vivia cinema.

No final dos 70, Lerrer, Nadotti e Jacqueline Valladro – esposa de Julio Reny, o Fred de “Deu Pra Ti...”, o dj de “Verdes...” –, fundariam o mítico Grupo de Cinema Humberto Mauro – que é, aliás, citado num bate-papo na Choperia Alaska, entre o Marco Antônio Sório (Robertão, de “Verdes...”) e Marcelo (Pedro Santos).

Além do Alaska, o Cinema I Sala Vogue, o Rib’s, o ônibus laranja esmaecido da VAP – em que Ceres (Ceres Vitória) embarca lendo o exemplar da “Isto É” sobre os anos 70 – são alguns dos instantâneos que localizam os personagens no tempo.

Entre as idas e vindas da narrativa que acompanha a “década da infâmia” – “os anos do sufoco”, “a revolução frustrada”, conforme as manchetes –, temos os pontos de vista do casal que aos poucos vai se tornando de fato casal: Marcelo e Ceres.

Em 71, ouvindo o “Big Baile” de Big Boy – disk-jóquei que marcou época no Brasil – ou assistindo aos coleguinhas pré-adolescentes xingarem-se de “bocomoco” entre si, há uma cena-chave, rápida, que geralmente acaba desapercebida. Ceres senta-se ao lado de Marcelo no sofá: por um lado, a garota nem suspeita que estará com ele no início dos 80; por outro, o menino mal sabe que um dia vai espantar a insegurança e poder rir dos garotos imbecis que azucrinam a vida.

Já em 73, na era de Aquário, Ceres joga cartas com Virgínia (Xala Felippi, a Marieta de “Verdes...”); Marcelo, futebol com “os caras da Marcílio e os da Botafogo”. Ceres vai para arquitetura, Marcelo prefere o jornalismo. Ceres, passeata e clichês do estudantismo; Marcelo, os poemas escritos no caderno. Revisora no “Zero Hora” versus o easy-rider que volta à capital, depois de um giro pelo sul.

Marcelo, aos poucos, vai representando a encruzilhada dos sonhos dos dois. O menino que se masturbava antes do pai chegar em casa, que zombava e ouvia Gênesis, mas que teve a gana de trancar a faculdade, “ver o mundo” e voltar.

Ceres, porém, tem um quê de imóvel. Conversando com as amigas comezinhas, seu maior ato de rebeldia talvez tenha sido conhecer Margareth (Deborah Lacerda, a Bebela de “Verdes...”), lésbica meio iconoclasta, que rouba produtos do armazém e guarda debaixo do casaco.

Em Marcelo, Ceres encontra algo que a leva para longe dos 70 – aliás, a expressão “Deu Pra Ti”, desconhecida para os habitantes ao norte do estado de Santa Catarina, significa “chega”, “basta”. Logo, “Chega de Anos 70” é a mensagem dos realizadores, embebidos pela perda dos 60, sem terem a noção dos desastres que ainda viriam depois.

Mas no filme, anos antes de terminar a década e de dividirem um apartamento, Marcelo e Ceres acampam na praia de Garopaba – reparem Giba e Nei com seus próprios nomes, incluídos como personagens.

Claro que o entendimento entre os sexos é bastante difícil na idade em que os garotos procuram quaisquer partes baixas femininas que virem pela frente, e as garotas querem grupinhos homogêneos, para se sentirem menos isoladas.

Como conseqüência, o casal se olha à distância, conversa timidamente. Em algum canto, alguém prepara o prato de macarrão, um outro lava os copos e os talheres, acendem os fogareiros, a noite cai, Fred e Marcelo bebem, fumam, deitam perto da água. A viagem à praia em “Deu Pra Ti...” é daqueles instantes que se vê e revê emocionado, encontrando nele os ecos das nossas próprias adolescências, que apesar das datas e dos locais diferentes, teimam ser incrivelmente parecidas.

Essa estrutura nostálgica, concebida para falar muito em episódios aparentemente leves e cotidianos, lembra Eric Rohmer – nos anos 90, “Conto de Verão” (1996) é um dos que trazem essa marca. Mas Giba e Nadotti também costuram a temática com um final onírico, a partir de pesadelos em que Marcelo, Ceres e Margareth se misturam. “Sonhei a noite toda. Cada sonho incrível, daqueles que parece que tu nunca vai esquecer.”

Ceres, insegura diante do novo Marcelo, fica culpada de abandonar os namorados anteriores, que voltam no sonho como deformações do passado. Marcelo, preocupado com os excessos de organização da namorada, pede um pouco de desajuste e sujeira – apoiado por Margareth, que corta as unhas em cima da mesa e despeja sopa no cabelo do jornalista.

Ao acordarem, Marcelo e Ceres compartilham as histórias e, a pedido de Ceres, repetem a brincadeira que Margareth – a louca, a libertária – havia ensinado: estirados sobre o chão da sala, medem os pés com as solas encostadas umas nas outras, e naquela infantilidade e doçura possível apenas nos pequenos gestos entre pessoas que se amam, sorriem.

Giba Assis Brasil e Nelson Nadotti não repetiram a parceria na direção. Por caminhos paralelos, que incluem a distância geográfica entre os dois – há tempos Nadotti radicou-se no Rio de Janeiro –, eles vão tentando o milagre de inventar o cinema no Brasil com as próprias mãos. De certa forma, aprenderam com aqueles meninos que em 24 de março de 1981 estreiaram “Deu Pra Ti, Anos 70” no Festival de Super-8 de Gramado e voltaram para casa com o prêmio de melhor filme.

quinta-feira, setembro 15, 2005

Verdes Anos


Entre 1983 e 84, vinte e um anos atrás portanto, o cinema gaúcho produziu uma trilogia de filmes que se inscreve para sempre na memória da cinematografia brasileira: “Aqueles Dois”, “Me beija “ e “Verdes Anos”.

Estes filmes, crias da Z Produtora, não são apenas manifestações culturais de um estado que, distante dos grandes centros nacionais, possui uma sofisticada vida própria. Representam também o que de melhor se fez no cinema do país naqueles dois anos importantíssimos, em que a ditadura militar desmoronava e todos aguardavam ansiosos o que aconteceria depois do fim.

Como todos os brasileiros sabem, aconteceu muita coisa, inclusive o despertar do sonho para a geração daqueles meninos, hoje quarentões, que foram adolescentes nos anos de chumbo. Os diretores Carlos Gerbase e Giba Assis Brasil tinham respectivamente 24 e 26 anos. Para a minha geração, que se acostuma a chegar aos quase trinta ainda engatinhando nos seus projetos de vida, garotos de vinte e poucos anos dirigindo e lançando no mercado longa-metragens parecem gente de outro planeta. E eram, de fato.

Em “Verdes Anos” algumas atuações são sofríveis, abaixo da crítica, os adultos da trama são extremamente superficiais e o olhar depressivo dos jovens diretores torna o filme aborrecido para quem busca entretenimento. Mas a originalidade, a honestidade e principalmente a força de vontade de fazer cinema superam qualquer dado adverso.

“Verdes anos” dizem, custou menos de 100 mil dólares para ser realizado. Quantos filmes brasileiros são infinitamente inferiores e custam vinte, trinta vezes mais? Antes de chegarem ao formato 35 mm, a maioria daqueles jovens gaúchos se escolou no Super 8, tendo como marco um longa neste formato, que tem um tema parecido ao de “Verdes Anos”, o hoje clássico “Deu pra ti, anos 70”.

“Verdes anos” se reporta a uma década antes de sua realização: uma cidade pequena, do interior do Rio Grande do Sul, no ano de 1972 (“sesquicentenário da Independência do Brasilll”, diz um locutor, ao longe; “foi lá por 72/ que eu descobri/ a lei dos corpos”, segundo a música na abertura dos créditos).

Neste mundo nostálgico, obscuro e melancólico, a realidade brasileira demora a chegar mas chega: em tempos de governo militar, há o choque entre libertários de um lado (o pai do personagem principal, de Werner Schünemann, ex-exilado no Uruguai; a professora com amigos “espalhados por aí”) e retrógrados de outro (gente comum no bar, bebendo cerveja; policiais truculentos, dando tapa na cara dos sem limites). Mas “Verdes anos” não se esgota na temática política. Não é esta, de forma alguma, a razão de ser do filme.

O roteiro de Alvaro Luiz Teixeira baseia-se no conto "Os Verdes Anos", de Luiz Fernando Emediato, e acompanha um grupo de adolescentes, para quem o provincianismo cruza-se com a joie de vivre, o marasmo com o sonho, a breguice com a vontade de ser cosmopolita. O garoto metido a poeta, apaixonado pela professora quarentona – que surpresa –, quer sair, respirar outro mundo, ir à Porto Alegre. A cidadezinha encheu, não suporta mais.

A ambientação na cidadezinha, porém, traz um referencial interessante. Porque não é a cidadezinha do interior mineiro, paulista ou nordestino – habitada por religiosos, Mazzaropis ou retirantes. É a cidadezinha do interior riograndense, sobre a qual o cinema brasileiro sabe muito pouco e ainda não se acostumou a olhar. Os dramas dos meninos e meninas ganham na curiosidade que desperta a observação de algo novo, difícil de ser visto.

Werner Schünemann, Marcos Breda (ainda creditado como “Marco Antonio Breda”) e Luciene Adami são rostos que no futuro viriam a se tornar famosos nacionalmente. Breda tem um quê de cult, ajudado em grande parte pela perfomance em filmes como “Feliz Ano Velho”. Schünemann, conhecido no Sul do país, surgiu para o Sudeste já quarentão, em papéis na tv, como “A casa das sete mulheres”. Luciene Adami, por sua vez, habitou os delírios de legiões masculinas na época de Pantanal, novela da falecida Rede Manchete.

Falar dos erros de uma obra executada por tanta gente iniciante é fácil. Melhor destacar a trilha sonora deliciosa, com músicas da época (sucessos internacionais que me fazem indagar se eles compraram os direitos autorais de tantas canções ou as usaram assim, por um descuido), e uma parte final, no idílio amoroso de Nando (Schünemann) com a linda e jovem Cândida (Márcia do Canto), que nos leva às lágrimas.

Outra coisa notável do filme é a citada atmosfera depressiva, tristonha, que se repete em outro filme da trilogia da Z Produtora, o intrigante “Me beija”. Com rara sensibilidade, os diretores não repetem o velho erro de outros filmes “de nostalgia” que parecem creditar ao passado tudo de bom, bonito e iluminado que houve no mundo.

Fica claro que a vida daqueles jovens é mesquinha, uma droga. Mas era a vida que eles tinham, a vida que no futuro já adultos, trabalhando e vivendo em Porto Alegre, Rio ou São Paulo, lembrariam e contariam para seus filhos, com um quê amargo e doce de saudade.