terça-feira, dezembro 26, 2006

A Noite Do Meu Bem - Um Ensaio


O que é bom ou ruim em cinema? Esse tipo de posicionamento quase sempre se presta ao cerceamento de opiniões e visões, e muito pouco à revisão e prospecção de filmes esquecidos ou mal divulgados.

Todos que lêem este site sabem que falo isso em defesa do cinema popular brasileiro, aquele que teve seu auge nos anos 60, 70 e 80, e que o senso comum acostumou-se a enfeixar genericamente sob o rótulo de pornochanchada – a ponto de termos que fazer, por vezes, um exercício neologista para lembrar dos policias e dos dramas realizados na mesma época e nos mesmos esquemas de produção.

Os tempos eram outros, e o cinema ainda ocupava um espaço central nas horas de lazer das pessoas – já que nem o videocassete existia. Não raro, um filme nacional dava dois, três milhões de espectadores – e a maioria chegava com facilidade aos 100 mil.

Salas como o Marabá e o Ipiranga – em São Paulo – ou o Olinda e o Roxy – no Rio de Janeiro – comportavam mais de 1.500 pagantes. Hoje em dia, muitos filmes de diretores renomados não batem na casa de 10 mil espectadores e, para se ter uma idéia, em dezembro de 2006, o maior cinema do Rio é o Palácio 1, na Rua do Passeio, que possui pouco mais de 700 lugares. No caso dos grandes cinemas paulistas alguns, como o Marabá, continuam a existir, mas aposta-se até quando.

E o povo gostava não somente dos filmes populares com o conteúdo de comédia sexual, mas de quase tudo que se produziu na época. Crime, terror, suspense, divagações existenciais, romances açucarados, paródias de sucessos norte-americanos – todos os gêneros foram investigados por nosso cinema e é um mistério – na verdade, é triste constatar – que esse batalhão de títulos permaneça grande parte esquecido e não sejam revistos periodicamente – analisados com distanciamento e isenção – por quem se interesse em colher pérolas cinematográficas.

Espera-se o dia em que o espectador brasileiro descubra, com surpresa, que filmes como "O Quarto", de Rubem Biáfora, "O Último Êxtase", de Walter Hugo Khouri, ou "Rainha Diaba", de Antônio Carlos Fontoura, podem ser muito mais significativos do que seus congêneres internacionais. Afinal, falam nossa língua e expressam emoções familiares a nossa cultura e formação.

O advento do Canal Brasil, em 1998, deu um passo importante para esse fenômeno curioso da redescoberta: desde então, gerações mais novas – como eu, por exemplo, nascida em finais dos 70 – tivemos acesso a parcelas antes praticamente desaparecidas da produção nacional, exibidas pelo 66 da Net.

Sem o Canal Brasil, esse tipo de cinefilia era (ainda é) restrita apenas às locadoras melhor sortidas, às ocasionais mostras de diretores específicos ou às reprises altas horas da madrugada nas tvs abertas. Mesmo para os fanáticos pelo Canal Brasil, assistir a qualquer filme que não conste na grade do canal pode ser o mesmo que localizar na sua cidade um Opala 77 pintado de zebra: tarefa surreal e impossível, quando não recebida com desdém e ironia, mesmo nas melhores casas do ramo.

Tente, por exemplo, ver "Corpo Devasso", filmaço da Boca dirigido por Alfredo Sternheim, estrelado e produzido por David Cardoso. Ou "Filhas do Fogo", "O Desejo" e "Anjo da Noite", três dos melhores trabalhos de Walter Hugo Khouri ou... A lista é enorme e longe dos olhos, longe dos corações e mentes. Assim formou-se uma geração de espectadores, que aceitam com facilidade o raciocínio de que se ninguém conhece um filme, ele não deve valer mesmo muito a pena. É um pensamento fácil, que todos nós -- inclusive eu -- abraçamos algumas vezes por comodismo.

Um ciclo vicioso acaba por se instalar: ninguém assiste porque ninguém comenta e aquilo que ninguém comenta porque não tem acesso não é lançado em dvd, muitas vezes não chegou sequer ao vhs e, em situações mais dramáticas, são cópias únicas inutilizadas em arquivos precariamente conservados.

Se não tivermos curiosidade de reavaliar a história do cinema brasileiro com boa vontade, ela corre o risco de não estar mais lá quando precisarmos. "Precisar" aqui se aplica no sentido amplo: inclusive porque, se algum jovem cineasta estiver precisando de influências e inspirações, aconselha-se um mergulho livre de preconceitos na filmografia popular brasileira.

Encontra-se quase tudo: todas as soluções possíveis, imaginárias e originais -- e quem simplesmente souber retrabalhar esse know-how no presente, com certeza será aclamado nos trópicos da mesma forma que alguns talentosos cineastas europeus e norte-americanos dos anos 90 o foram por assistir com atenção o que seus ídolos haviam filmado em meados dos anos 60 e 70. Movimento semelhante precisa ser feito tardiamente no Brasil, onde quase ninguém ousa dizer-se influenciado pelo passado do próprio cinema nacional.

O primeiro passo, talvez, seja a superação do legado auto-depreciativo de se comparar a produção nacional com a produção cinematográfica estrangeira, notadamente com o padrão hollywoodiano, na intenção de se provar o vaticínio de que os filmes nacionais eram mal feitos.

Ora, o Brasil dos anos 60, 70 e 80 era um país fechadíssimo à influência externa, e, como hoje, gerador de uma rica cultura própria, na qual o cinema foi só uma parte do todo. Logo, a visão histórica (e estética) que podemos ter do cinema brasileiro – e de grande parte da cinematografia do terceiro mundo – é a de entidade singular, que – obviamente – permeada pela influência estrangeira, gera uma linguagem nova, um universo novo, que não significa o cinema de Hollywood nem o cinema europeu, mas um terceiro híbrido que não precisa ser analisado pela sombra dos outros dois, sob pena de criarmos uma visão colonizada e subserviente da nossa cinematografia.

Um segundo passo para a melhor assimilação do cinema brasileiro é libertarmos o ethos artístico do viés ideológico, o que no fundo depende de certo amadurecimento da sociedade brasileira como um todo. Dividir a filmografia nacional entre "conscientes" e "alienados" pressupõe uma tomada de posição que não representa dialética, mas obediência. Criar arte política é saudável, algo inerente ao ser humano, mas exigir que toda e qualquer arte seja de debate ou resistência é um patrulhamento tosco.

Jece Valadão, falecido recentemente, encarnava de certa forma este paradigma de isolamento, descrença e estereótipo, dos cineastas "malditos por serem populares". Paradoxo que, só com manual de instruções sobre a cultura brasileira, um pesquisador estrangeiro será capaz de compreender.

Jece não é o único a sofrer essa injustiça. Estão aí, vivos e vendendo saúde, alguns representantes da sua espécie: Carlo Mossy, David Cardoso, José Mojica Marins e mais uma meia dúzia de realizadores que, longe da unanimidade dada a outros sem qualquer merecimento, ainda lutam por trabalho e aceitação artística, quando não passam até dificuldades financeiras e materiais.

A trajetória de Jece Valadão nos oferece combustível suficiente para uma análise precisa dessa inversão de valores. No início, quando produziu e estrelou "Os Cafajestes", em 1962, aos 32 anos de idade, o jovem ator recebeu no país as impressões mais furibundas, muito por conta das cenas "amorais" de nudez e consumo de drogas. Mas bastou que o filme fosse aclamado em festivais internacionais para que uma parcela provinciana dos críticos reconsiderasse posições.

Sem a mesma sorte, grande parte de suas empreitadas seguintes, à frente da Magnus Filmes -- principalmente a partir da segunda metade dos anos 60 --, conjugava o dilema de "fracasso de crítica, sucesso de público", o que, cá entre nós, foi pior para quem não viu com atenção "Mineirinho, Vivo ou Morto" ou "Os Raptores".

Sobre a Magnus, a Filme Cultura de novembro de 1968 explicava: “Todo um andar (o último) de um edifício na Avenida Princesa Isabel n. 150 em Copacabana: escritório, salas de montagem, de gravação sonora, de revelação de stills fotográficos, enfim, setores de publicidade e de contabilidade, tudo bem organizado como manda o figurino de uma empresa industrial. Assim está montada a Magnus Filmes de Jece Valadão”.

Adentrando os anos 70, ele fez mais e melhor, em thrillers explosivos, comédias adaptadas da literatura brasileira e afiadas crônicas de costumes. A maioria destes passam regularmente no Canal Brasil, onde podemos constatar o óbvio: é cinema popular, feito para angariar público, mas de ótima qualidade. Entretenimento com propósitos comerciais sim, mas e daí? Para quem estava distante das benesses da Embrafilme naqueles anos de exceção, se um filme não desse retorno, não poderia fazer outro. Assim, com recursos controlados, dificilmente erravam.

Um dos melhores filmes da Magnus talvez seja "A Noite do meu Bem" (1968), biografia romanceada da cantora Dolores Duran, estrelada por Joana Fomm e Carlos Eduardo Dolabella. Afirmo que talvez seja, pois pratico aqui, pela primeira vez, um exercício de suposição: nunca tive a oportunidade de vê-lo. Nem eu, nem quase ninguém que não estivesse com dezoito anos em 1968. Afinal, o filme foi caçado em praça pública e nunca relançado sequer em vhs. Motor para o sensacionalismo hipócrita do apresentador Flávio Cavalcanti, se quisermos saber algo mais sobre "A Noite do Meu Bem" precisaremos confiar na memória de quem esteve no lugar certo e na hora certa das parcas exibições.

Gente como o cineasta Afrânio Vital, que garante ser esta tour de force de Jece (que também o roteiriza e dirige) um dos melhores filmes brasileiros já feitos -- e sendo ele mesmo, Afrânio, um mito do cinema brasileiro sem que quase ninguém saiba disso, a informação tem toda a confiabilidade, a ponto de eu transcrevê-la aqui.

Afrânio, com sua verve característica, descreve o filme para nós: "A sequência final dá uma dica da importância da obra de arte feita por Jece. Dolores Duran, no quarto, coloca um disco na vitrola, sua imagem solitária no apartamento vazio, a faixa do disco repetindo diversas vezes... Ai, a solidão vai acabar comigo... Ela morta sobre a cama, o apartamento entre muitos em Copacabana, a luz da janela do prédio entre muitos prédios da Copacabana noturna dos anos 60. Copacabana vista do alto em planos, distanciando-se cada vez mais, e por fim a Terra vista da Lua nos fazendo lembrar as inquietações de Marcelo em 'As Amorosas', ante à pequenez do humano na imensidão do mundo. Se tudo isso não basta, só a interpretação magistral de Joana Fomm jovem fazendo Dolores é o bastante para não se impedir a revisão desta obra de arte."

Com certeza, "A Noite Do Meu Bem" jaz depositado em algum lugar bem longe dos olhos para quem ele foi feito: o público e as futuras gerações. Talvez nem esteja mais lá quando precisarmos dele. Aliás, já precisamos e não sabemos, porque não podemos assisti-lo. E sem podermos assisti-lo, ele permanece esquecido, assim, por quase quarenta anos.

25 comentários:

Márcio/BH disse...

Cara Andréa, você escreveu um belo ensaio que é um desabafo muito honesto e oportuno sobre os descasos com o cinema nacional onde os seus admiradores são privados do acesso a muitas obras em função dos tantos "não-lançamentos". Passei minha infância nos anos 70 num pequeno distrito do interior de Minas com cerca de 6 mil habitantes, mas havia um cinema. O município sede - Caratinga - com cerca de 110 mil habitantes naquela época possuía duas salas de cinema sendo o Cine Itaúna uma das maiores salas da América Latina. É deste período que guardo grandes recordações, muitas das quais de filmes brasileiros. Lembro-me de ter assistido muitos filmes do Mazzaropi e outros títulos do cinema popular. Ainda que criança dava o meu jeito e conseguia assistir filmes como "A Viúva Virgem", "A Filha do Padre", "Já Não Se Faz Amor Como Antigamente" (censura: 20 cruzeiros, vinha destacado nos cartazes). Já vivendo em outra cidade de Minas nos anos 80, rodeado por seis salas de cinemas (das grandes!), entrei em contato com filmes de Walter Hugo Khouri, Brás Chediak e muitos títulos que você já resenhou por aqui. Muitos destes filmes que assisti neste período não tive mais notícias, como "Janete" do Chico Botelho ou "Sete Dias de Agonia (O Encalhe)", de Denoy de Oliveira, só para citar apenas dois que recordo com clareza. Por isso gostei muito do teu ensaio pois o texto vislumbra a frustração do espectador que fica privado do que de fato lhe interessa ou até mesmo deixa de se interessar pelo que não teve oportunidade de conhecer. Já ouvi falar e já li sobre "A Noite do Meu Bem". Além de gostar de assistir os filmes brasileiros sou fã de Dolores Duran e de suas composições mas nunca tive oportunidade de assistir esta obra. De qualquer modo penso que teu blog é um estímulo e uma grande contribuição para manter acesa a chama da paixão pelo nosso cinema e não nos rendermos exclusivamente à estética hollywoodiana ou à sua variante: o padrão globo de qualidade. Espero que teu blog adentre 2007 com sucesso e que possa angariar mais leitores. Grande abraço.

Eduardo Aguilar disse...

Que texto!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
E logo, logo, estarei frente a frente com Andréa Ormond! mal posso esperar por passar horas ouvindo-a falar. Diante dessa mulher, só nos resta ouvir e saber ouvir!!! Feliz 2007

sergio andrade disse...

Andréa, isso não é um ensaio, mas sim um verdadeiro manifesto em prol do cinema popular brasileiro!
Assino em baixo de tudo que vc disse, mas acredito que existe um terceiro passo a ser dado para que o cinema brasileiro possa ser melhor assimilado, principalmente pelas novas gerações, e ele está relacionado com a preservação dos filmes. Todos os países, EUA à frente, preocupam-se com a preservação de sua cultura cinematográfica. Mas no Brasil o que prevalece é a cultura do esquecimento! Enquanto não tivermos uma política pública voltada para esse assunto, estaremos sempre a reboque da cultura hegemônica.
Quando estava pesquisando para o meu TCC, que tratava da Cinemateca Brasileira, instituição da qual me orgulho em ter trabalhado, me deparei com dados alarmantes. Em 1997, em entrevista para um jornal, o então presidente da Funarte Márcio Souza afirmava que “se ainda existir 1% do que se filmou no Brasil até 1950 é muito, enquanto o curador de Preservação e Restauro da Cinemateca do MAM do RJ, Francisco Sérgio Moreira, calculava que cerca de 50% do cinema feito nas décadas de 50 e 60 no país se perdeu”.
Diante desses dados, a pergunta que não quer calar é: existirá ainda alguma cópia de A Noite do Meu Bem? E se existir em que estado estará?
Creio que esse é um assunto pelo qual todos nós, admiradores do cinema brasileiro, devemos batalhar, para que nossos filmes não sobrevivam na memória de apenas alguns privilegiados, como no caso do grande Afrânio Vital.
Parabéns por mais este belíssimo post que vc nos presenteou :)
E pra finalizar: que inveja do Edú hehehe!
Beijão, Andréa, ótimo 2007!!!

Jorge disse...

Andrea, só você mesmo para fazer um comentário magistral sobre um filme que NÃO viu, esse seu desabafo é meu e de muita gente também. Quantos bons filmes, ou mesmo obras-primas, não estão esquecidos nas prateleiras da Cinemateca ou desaparecidos? Dezenas, talvez centenas deles. Minha opinião é que 25 anos de crise econômica desorganizaram totalmente o país, e o nosso cinema e nossa memória cinematográfica foram dos que mais sofreram. Mas acho que a semente para a redescoberta desses filmes já está lançada, já saímos do fundo do poço... há 10 ou 15 anos devia estar pior. Recentemente houve um debate aqui em São Paulo sobre o filme “São Paulo S/A” com o cineasta Walter Salles, e ele confessou que viu esse filme pela primeira vez numa cópia pirata! Hoje pelo menos já dá para comprar em DVD. Bem, e hoje temos o Canal Brasil, e a Internet que nos fez descobrir que nós, admiradores do cinema brasileiro do final dos anos 60 até o início dos anos 80, somos multidões.
Acredito que um dia a economia brasileira vai voltar a crescer, e então esses filmes vão ressurgir em cineclubes espalhados por todo o país, em DVDs, e até na televisão aberta... que os palácios cinematográficos das Cinelândias carioca e paulista, o Art-Palácio, o Paissandu, o Ipiranga, o Marrocos, o Metro, serão restaurados e voltarão a brilhar juntamente com os centros históricos das cidades, dos quais fazem parte essencial. Afinal, é assim nos países civilizados. Querer é poder, e se cada um fizer a sua parte, como você vem fazendo com maestria, chegaremos lá. Feliz 2007 a todos.

Matheus Trunk disse...

Andrea Ormond: mais uma vez meus parabéns pela sua coragem e talento na defesa da nossa cinematgrafia. Belo ensaio. Eu também já procurei os filmes do Afrânio Vital em tudo que é canto, mas infelizmente não acho. Foram lançados em VHS ? A pergunta que não quer se calar. Eu queria muito realizar um trabalho sobre a mitológica EMBRAPI. Tenho contato de quase todos os técnicos vivos, sócios e tudo mais. Mas tem um grande problema: não existe cópia de cinco dos sete filmes da empresa. Esse problema encontro em muitos pontos do nosso cinema. Onde você achou cópia do CORPO DEVASSO ? Existe essa cópia ? É um problema muito sério não só a perpetuação dos nossos filmes como também a situação de como se encontram hoje muitos diretores/técnicos. Alguns se encontram em sérios problemas financeiros e de saúde. Um exemplo é Zé Manir, conhecido como o melhor eletricista da Boca. É importante posts assim como esse, de grande defesa do nosso cinema. Abraços e feliz 2007.

Fernando Niero disse...

olá Andréa, até agora eu era apenas um leitor silencioso do seu Blog :) belíssimo texto, também acho absurdo que vários classicos dos melhores diretores nacionais (tanto longas quanto curtas) sejam tão dificeis de encontrar (eu mesmo gostaria muito de ver os filmes pré-noite-vazia do Khoury,mas não os encontro nem a pau)...sorte que existe cineclubismo, canal brasil e o emule. Parabens pelo Blog, até

Luiz com Z disse...

Andréa, se eu não estivesse escrevendo do trabalho, já teria vertido lágrimas na primeira metade desse último post de 2006. Não me resta mais do que desejar que ao longo desse e de todos os muitos próximos anos da sua vida, você continue cumprindo o genial slogan do Canal Brasil: garantindo o futuro do nosso passado. Beijos do amigo recente e sempre torcedor e companheiro de cinefilia
Luiz.

Alfredo Sternheim disse...

ANDREA,
Em A NOITE DO MEU BEM - UM ENSAIO, você fez um dos mais brilhantes artigos sobre os entraves no resgate de nosso cinema, em especial de nosso cinema mais popular, aquele dos anos 60 e 70 que você tão bem, costuma abordar em Estranho Encontro. Me emocionou as referências ao Valadão com quem estive em Natal, dias antes de sua morte. Posso estar sendo injusto, mas creio que ninguém tem feito um constante e perfeito trabalho de valorização do nosso cinema não oficial (oficial é aquele que só fala em Glauber e Cinema Novo) como você. Parabéns, Andréa, continue nessa missão com o carinho e a profundidade que você tem demonstrado. E um feliz 2007.

Matheus Trunk disse...

Oi Andrea e amigos: Venho informar que a edição de janeiro da revista eletrônica ZINGU! já está no ar. Dossiê HOWARD HAWKS com análise de onze filmes do mestre e com entrevista dele feita por Peter Bogdanovich. E mais: estréia de três colunistas novos, musas eternas com Edwige Fenech por Marcelo Carrard, estréia da Coluna do Biáfora, o que a crítica sabe?! Com os dez filmes mais super-estimados, coluna Cinema Extremo com Subconscious Cruelty tesouro dos quadrinhos com Carlos Zéfiro, anti-musas com Trio Maravilha, cantoras com Maria Thereza, ruído com The Action.
Tudo isso em: www.revistazingu.blogspot.com

Michel Simões disse...

Grande Ensaio, grande texto, parabéns Andrea! Nós brasileiros temos vergonha de olhar p/ nosso passado e se espelhar no que é bom, é mais bonito consumir o pop que vem de fora (e mtas vezes nada tem a ver conosco). Beijo!

Roberto Queiroz disse...

Andréa, Estou passando para falar sobre o meu novo blog (http://claque-te.blogspot.com) onde eu escreverei sobre filmes que chamaram minha atenção enquanto
que o the cave ficará como um panorama global do que está rolando na sétima arte ultimamente. Além disso, há textos meus de 15 em 15 dias no portal
Reação Cultural (http://reacaocultural.blogspot.com), uma revista virtual da qual participo.

Abraços do crítico da caverna.

Marcelo V. disse...

Andréa, sublime, seu texto. Meu caso é ainda mais trágico, porque sequer tenho acesso ao Canal Brasil...

Eikonews disse...

Olá, sou do eikonews, blog tb. Gostaríamos de entrevistar vc. Cinema brasileiro é sempre um assunto polêmico e instigante.Topas?
meu e-mail:desousaju@gmail.com
Vi vc no programa de curtas na TVE. Adorei seus cometários, Avessos e côncios!
BJ, jU.

Luiz com Z disse...

Nunca imaginei que teria o prazer de dizer "Faço minhas as palavras do Alfredo Sternheim". :D

Demonarch disse...

Excelente texto

Anônimo disse...

Meditação sobre a mentalidade caôlha que assola os estudiosos do cinema brasileiro sobre o seu passado riquíssimo, além de um chamado urgente à conscientização da importância do resgate de um pretérito de imagens em movimento tão variado, seu ensaio é brilhante em todos os sentidos e necessário como um chamamento à responsabilidade daqueles que se debruçam sobre o cinema nacional, mas, sempre, sem separar, como você mesmo diz, o 'ethos artís- tico' do 'viés ideológico'. Faz-se necessário, e urgente, um mergulho livre de preconceitos na filmografia popular brasileira. Blog singular e único no que diz respeito à sua pesquisa e a sua enorme importância.

André Setaro disse...

O comentário abaixo, reparei agora, numa outra visita, saiu como 'anônimo', mas é meu.
Meditação sobre a mentalidade caôlha que assola os estudiosos do cinema brasileiro sobre o seu passado riquíssimo, além de um chamado urgente à conscientização da importância do resgate de um pretérito de imagens em movimento tão variado, seu ensaio é brilhante em todos os sentidos e necessário como um chamamento à responsabilidade daqueles que se debruçam sobre o cinema nacional, mas, sempre, sem separar, como você mesmo diz, o 'ethos artís- tico' do 'viés ideológico'. Faz-se necessário, e urgente, um mergulho livre de preconceitos na filmografia popular brasileira. Blog singular e único no que diz respeito à sua pesquisa e a sua enorme importância.

Matheus Trunk disse...

Oi Carrard ! Venho anunciar pra você que já está no ar a edição de fevereiro da revista eletrônica ZINGU! com dossiê exclusivo e entrevista com o cineasta LUIZ GONZAGA DOS SANTOS. Conta ainda com um especial ao grande crítico CARLOS MOTTA; gêneros obscuros WIP; Coluna Cinema Extremo com Nekromantik; Coluna Estranho Encontro com A Meia Noite Levarei Sua Alma; Musas Eternas com Pam Grier; Clássicos de Prestígio com Vinhas de Ira; Anti-Musas com Daniela Cicarelli. Confiram ! Tudo isso em www.revistazingu.blogspot.com

Andréa Ormond disse...

Márcio, essa destruição sintomática do acervo cultural, fato que não é de hoje, simplesmente destrói a própria possibilidade de se ter acesso aos filmes. Como sabermos de um filme que não existe mais, nem fisicamente? Ou que fica escondido em algum lugar, talvez reencontrado numa feirinha de artesanato, vendido a preço de banana? A falta de manutenção dos acervos e a inexistência de arquivos em grandes quantidades são tragédias do nosso cinema. E que pioram bastante quando somadas ao preconceito com determinados realizadores. Um grande abraço!

Fala Edu! Obrigada, e que 2007 continue nos trazendo novas oportunidades de bate-papos fílmicos :)

Oi Sergio, é verdade, concordo quanto à necessidade de preservação do patrimônio. Como falei no texto, a inexistência em vhs ou em dvds, somada ao lobby de se "amar odiar" a produção nacional deixa os filmes cada vez mais longes e mergulhados no ostracismo. Sacudir esses dogmas é o início de um trabalho de campo super necessário. Beijos!

Jorge, a manutenção e o cuidado com estes acervos culturais é o mínimo que se pode pedir mesmo. Essas ondas de destruição de cinemas acabam sendo responsáveis por uma atitude absurdamente predatória, tola. Ainda não entenderam que é possível seguir o exemplo das restaurações, permitindo se conjugar o passado com o futuro: oficinas, palestras, filmes, tudo isto preservado em cinemas antigos que continuam a ser frequentados com interesse. Abraços!

Andréa Ormond disse...

Fala, Matheus! Dos filmes do Afrânio, "Os Noivos" foi lançado em vhs. "Corpo Devasso" é raríssimo, lembro de ter assitido há muito tempo ou na tv aberta ou em alguma exibição. A busca deste e outros filmes continua... E temos um belo número da Zingu! Abraços!

Fernando, obrigada. É preciso fôlego de arqueólogo rs Procurar os filmes em sebos, etc. mas geralmente é recompensador.

Luiz, que os próximos anos sejam de muitas vitórias, para todos nós. Bjs

Alfredo, obrigada. A missão de debater sobre o cinema brasileiro é espinhosa às vezes, como vc bem sabe. Mas fomos todos picados pela mosca azul rs então o que é uma tarefa árdua acaba sendo super prazeroso. Beijos e tudo de bom neste 2007.

Michel, absorver o que vem de fora e entender o passado e o presente da nossa produção seria o melhor caminho, sem preconceitos. Beijos

Andréa Ormond disse...

Roberto, valeu! Gostei muito do Claquete e do Reação Cultural. Abraços

Marcelo, obrigada. Complica bastante sem o Canal Brasil, mas dá pra acompanhar a programação dos cineclubes e peneirar filmes bem preciosos.

Ju, será um prazer. Enviei um email. Bjs

Valeu, demonarch.

André, obrigada. Muitos de nós sentem a mesma necessidade, de poder falar sobre o cinema na medida de sua importância e entendendo quais são os reflexos que ele traz sobre o que determinada sociedade entende em termos de arte.

Rafael disse...

Infelizmente, "A noite do meu bem" é um filme considerado perdido (não existem cópias nem o negativo original), assim como muitos outros da Magnus Filmes, como "Os viciados", o primeiro filme de Braz Chediak em que Jece Valadão interpreta um viciado que dá maconha para a mãe fumar, sem ela saber, e transa com ela, sem ela perceber! Uma história edipiana na favela!

Refer disse...

Olá, não conhecia o blog — cheguei aqui por causa do título A Noite do Meu Bem. Na época em que foi exibido, eu assistia a todos os filmes nacionais que fosse possível. Uma das minhas frustrações foi não ter visto A Noite do Meu Bem. O filme entrou em cartaz quase clandestinamente, ficou meia semana (em S.Paulo, no Cine Metrópole, se não me engano). Consultei a programação dos jornais e vi o filme programado em um cinema nos confins da av. Sto Amaro — na época, ir a Sto Amaro era como ir a outro município. Mesmo assim, fui até lá para descobrir que a programação havia mudado dois dias antes. O Programa Flavio Cavalcanti dava um "ibope" absurdo, e o pessoal que trabalhava lá, os "jurados" como Mr. Eco e José Fernandes, além do próprio FC, se juntou numa campanha cerrada contra o filme. Eram todos amigos da Dolores Duran que não se conformavam como ela foi retratada por Jece Valadão. Nunca de esqueci de FC na TV, apoplético, esbravejando: '... até 'bulacha' ela toma na cara!'

Walter disse...

Legal mesmo esse tópico sobre a "Noite do meu bem" Eu que filmei. Nesse tempo eu era assistente de câmera do Hélio Silva. Carlos Eduardo Dolabella, Edson Silva, Joana Fohm, Irma Álvarez, sei lá quem mais. Realmente foi gostoso fazer esse filme e trabalhar com Jesse Valadão sempre foi pra mim um motivo de orgulho. Trabalhei durante muitos anos na Magnus Filmes, com uma equipe espetacular.Sindoval Aguiar, Bras Chediak, o fotógrafo Antônio Smith, Hélio Silva etc. Naquele tempo, a Magnus era a maior produtora brasileira produzindo três filmes por ano. E Jece Valadão foi um exemplo de profissionalismo e grande amigo. Abraços
Walter Naslausky.

Anônimo disse...

Tenha 514 canais TV Digital no PC